Eu nasci num país que foi invadido e dominado por portugueses que chamavam nossos nativos de “selvagens”. Nossos índios foram assassinados, nossas índias violentadas e nossas riquezas entupiram navios rumo à Portugal. Nosso Rei, um covarde que veio para cá fugido, uma terra chamada de “Quinto dos Infernos”.
Nunca colonizamos nada, fomos explorados até a raiz exposta do ultimo pau-brasil. Atravessamos séculos e pouco mudou.
Abril de 1964. Golpe militar, Jango deposto. Anos de massacre, mortes, desaparecimentos, tortura, estupro, choque, cadeira do dragão, pau de arara, censura, DOPS, Ustra, Fleury, silêncio. Vinte anos de mortes e massacres em nome da ordem. Holocausto só nos diferenciou em números. Famílias que até hoje não sabem o que aconteceu com seus filhos, maridos, pais...
Fernando Collor de Melo e seu plano mirabolante de congelamento das poupanças. Inflação subindo até a estratosfera. E o povo, reagiu. Eu, no auge dos meus 10 anos, tive orgulho de ver o país com o rosto pintado de “verdeamarelo” lutando pelo seu direito de cidadão, cobrando o seu voto. Queria estar lá. Impeachment.
Tantos anos depois e pouco mudou... exploração, mensalão, corrupção, eleição e reeleição e tantos outros “ãos”. Enquanto isso do outro lado, a fome, pobreza, o desemprego, o descaso com a saúde, com a educação, com a moradia. Impostos obscenos, pouca renda, muito gasto. Só pra nós, claro. Nós que ralamos por um salário, pra pagar uma faculdade, a conta de luz e o pão. Enquanto isso, o bolso do candidato engravatado é que leva o maior filão. Vergonha.
Nunca neguei a minha vergonha de ser brasileira, de ter nascido num país que não me respeita que não me valoriza, que ri da minha cara dentro da televisão. Tenho vergonha de cantar o hino nacional, porque me sinto homenageando todos esses anos de corrupção.
Comissão da Verdade, que deveria se chamar Comissão da Omissão. Cachoeira, José Dirceu, Lula. Pec-37. Marcos Feliciano nos enchendo de desgosto com seus ideais preconceituosos, racistas, homofóbicos, como se o próprio fosse um nobre sueco. Hitler deixou alguns seguidores nesta pátria pouco amada.
2013... e eu, aos 31 anos, gozando pouquíssimo da vida e das minhas faculdades mentais, pois do meu valorizado salário pouco sobra para a diversão, tive mais desgosto. O assunto dos últimos dias é o aumento da passagem de ônibus e do saco cheio do cidadão, porque não, não são os famigerados 0,20, são os milhões que vão para todos os bolsos, estádios e cofres públicos. Foram para a rua, tentaram. Represália, agressão, prisão, bomba, bala de borracha. Omissão. Mídia fascista mostrando só o que era conveniente, gente manipulada chamando estes corajosos cidadãos de baderneiros. Não desistiram. Hoje estão em SP, MG, RJ, DF...estão em milhares, lutando inclusive pelo direito do trabalhador que o considera um marginal, porque afinal, ele atrapalha o trânsito e a sua incrível volta
pra casa no transporte coletivo. Quem pensa assim, não faz a diferença no mundo, nem na própria vida. Nasce e morre “no fundo dos pelos do coelho”. Eu queria estar lá, mas infelizmente estou sentada atrás da minha mesa trabalhando, porém acompanhando tudo, rezando pelos meus amigos, orgulhosa. Espero que hoje seja um marco na historia novamente, mas um marco pela justiça, não mais pelo controle e repressão. Que o povo acorde, que as ruas continuem cheias de pessoas com coragem, que algo mude e que eu finalmente sinta orgulho de ser filha desta nação.
pra casa no transporte coletivo. Quem pensa assim, não faz a diferença no mundo, nem na própria vida. Nasce e morre “no fundo dos pelos do coelho”. Eu queria estar lá, mas infelizmente estou sentada atrás da minha mesa trabalhando, porém acompanhando tudo, rezando pelos meus amigos, orgulhosa. Espero que hoje seja um marco na historia novamente, mas um marco pela justiça, não mais pelo controle e repressão. Que o povo acorde, que as ruas continuem cheias de pessoas com coragem, que algo mude e que eu finalmente sinta orgulho de ser filha desta nação.
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